Muito Mais, Senhor.

Neste Natal quero muito mais Senhor.
Muito mais que os presentes, quero-Te, Senhor, meu maior presente.
Muito mais que a vinda dos familiares, quero Tua vinda, Senhor.
Muito mais que os banquetes e ceias, quero-Te, Senhor, Pão da Vida.
Muito mais que as músicas, quero ouvir Tua voz, Senhor.
Muito mais que os abraços e sorrisos, quero Tua acolhida, Senhor.
Muito mais que as luzes e enfeites, quero-Te Senhor, verdadeira Luz.
Muito mais que uma visita do papai Noel, quero a Tua visita, Menino Jesus.
Muito mais que amigos ocultos, quero-Te Senhor, meu verdadeiro Amigo.
Muito mais que os lindos cartões, quero Tua Palavra Senhor.

Senhor, dai-me a graça de não perder nunca o sentido do Natal. Pois és Tu a verdadeira alegria deste dia. Ensina-me a olhar para Ti e nunca desviar o olhar para as coisas terrenas.
Que meu sorriso e meu abraço não sejam em vão, que minhas festas e músicas não sejam em vão, que meus cartões e presentes não sejam em vão, mas que eles sejam um sinal e não substituição da Tua presença.
Seja o presépio, muito mais que decoração. Mas, um sinal do Teu nascimento.
Seja o meu coração a manjedoura para Tu, Menino Deus.

Matheus Barbosa
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O Homem do Caminho

Naqueles dias de dor. Quando os discípulos perderam o Mestre, saíram dois deles para Emaús, uma cidadezinha pequena, perto de Jerusalém. Saiam tristes, desiludidos. Deixando em Jerusalém a memória e os sonhos. Buscavam um lugar para se refugiar. Um lugar onde pudessem resmungar e choramingar sem que ninguém os incomodasse. Foram os dois sozinhos, pelo caminho, comentando tudo o que tinham passado em Jerusalém durante todos esses últimos tempos em que o Mestre ainda estava no meio deles. Eis, que encontram com mais um no caminho. Julgaram ser um homem como eles, pois afinal, o que esperar de extraordinário em um momento destes? O seu Mestre já tinham ido. Seu amigo morreu! Nada mais podiam esperar nem perder.
Continuaram seguindo, agora com um estranho no meio deles. Talvez fosse um forasteiro, afinal ele não sabia de nada. Nem sequer sabia sobre seu amigo Jesus. Era um qualquer, um homem mal informado. Não entendia nada sobre o que eles resmungavam pelo caminho. Mesmo assim resolveram continuar o caminho e explicar a ele tudo o que estavam passando.
O bom homem os ouviu tranquilamente, era sereno, caminhava calmamente e com o olhar os confortava. Seus passos eram sempre firmes e o seu ritmo era o mesmo que o dos outros, assim caminhavam lado a lado. Nem um mais à frente nem outro mais atrás. Iguais. Atenciosamente os ouviu, mas quando pôde soltou a voz. Olhava-os nos olhos, como se os conhecessem há anos. Gesticulava e até sorria para eles. Já havia o vinculo de uma amizade. O homem não hesitou em falar a verdade e chamar a atenção deles. Afinal, assim como disse o homem, eles não tinham inteligência e tinham o coração duro para acreditar nos profetas. Os discípulos espantaram, afinal ele era um desconhecido, mas falava com tanta autoridade diante deles. Era um forasteiro qualquer, mas, suas palavras inflamavam seus corações.
O homem que antes bem atento ouvia, agora com muito amor os exortava e os dois ficavam silenciosos.
O dia já estava chegando ao fim, a caminhada já tinha sido longa e cansativa. Os dois discípulos resolveram então arrumar um lugar para descansar, já o bom forasteiro continuou seguindo sem mesmo se despedir. Era calmo nas suas passadas e parecia que sabia onde iria passar a noite. Algo que espantou os discípulos, pois ali era o único lugar mais próximo para se aconchegar e esperar o novo dia. Olhando para aquele homem que seguia, via que ele precisava de um lugar para tomar um banho, comida e uma cama. Mas, no íntimo, perceberam que não era o homem que precisava deles, mas eles precisavam muito mais daquele homem nas suas vidas. Aquele homem confortou seus corações e já era digno de ser chamado de senhor, pois não era mais um forasteiro e sim um companheiro, um Mestre. Impulsionados por esta necessidade disseram: “Senhor, fica conosco! Já é tarde e a noite já vem!”. O homem, com um olhar humilde e uma alegria aparente resolveu voltar e ficar com eles. Os três ficaram felizes.
De pressa arrumaram uma casa onde puderam descansar. E estando na mesa, colocaram o homem em um lugar de respeito. Entregaram o pão para ele, para que ele pudesse partir. Não se fazia isto com qualquer um. Mas, aquele homem os tocou o coração de tal forma que já se sentiam amigos dele. O homem tomou o pão calmamente, olhou nos olhos e deu um sorriso para cada um deles e olhando para o céu abençoou o pão, partiu-o e serviu-o.
Houve um silêncio. Um espanto para os discípulos. Não conseguiam exprimir nenhuma palavra àquele homem. Era como se tivessem tirado uma venda dos seus olhos. Apenas sorriram ao reconhecer o Mestre. Não esperavam aquilo, pois para eles o Mestre havia morrido para sempre e junto com Ele todos os sonhos e toda a missão também.
E antes que acabasse seus sorrisos e seus pensamentos Ele desapareceu do meio deles. Ficaram novamente os dois sozinhos. E Ainda meio confusos por tudo. Olhando um para o outro, quase juntos disseram: “Não nos abrasava o coração quando Ele falava pelo caminho?”.
Ficaram impressionados e viram o quanto eram incrédulos. Cegos pela sua tristeza e pessimismo, deixaram Jesus morto e não o ressuscitaram nos seus corações.
Tentaram até dormir e deixar para voltar a Jerusalém pela manhã, mas não conseguiam. Era grande a alegria, era o Mestre que estava vivo! Tinham que contar isto para todos, para que também eles se alegrassem. Esqueceram do cansaço, da fome, esqueceram de tudo e na mesma hora voltaram pelo caminho que não era mais escuro, pois habitava no coração deles a Luz.


NOTA: Aos que quiserem uma narrativa perfeita do mesmo fato e digna de todo o reconhecimento, leia em Lucas 24, 13-35.


Matheus Barbosa
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Além da Janela

Há de se achar muitas pessoas que já ouviram esta historinha. Mas, não faz mal. Só queria contá-la para iniciar a reflexão de hoje. Vejamos:
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Havia num certo vilarejo, na difícil e boa época em que se lavavam roupas à mão e as estendiam no varal do quintal de casa, duas senhoras, bem velhinhas que repartiam o mesmo pedaço de terra. A primeira era uma senhora toda boa, amável, tinha um coração bom, caridosa e sempre sustentava um sorriso no rosto apesar das labutas do dia a dia. A segunda, sua vizinha, já não era bem assim. Pela aparência podemos considerar o oposto da primeira. Vivia sempre com o rosto fechado. Uma aparência não muito boa. Não parecia uma mulher muito amável, nem de muita conversa. As duas não eram amigas, no máximo se cumprimentavam. Havia um relacionamento superficial. Uma não sabia das qualidades da outra. Mas, mesmo sem se conhecerem, quando era pra pensar em defeitos sempre achavam um ou outro. Principalmente a senhorinha boa. Que sempre espiava pela janela as roupas estendidas no varal de sua vizinha. Assim, como dizia ela: “I-MUN-DAS!”. Falava até pausadamente pra si mesmo, para denotar a imundice que se encontravam as roupas recém "lavadas". A senhorinha boa não conformava com aquilo. Principalmente por que ela, uma mulher boa de serviço e responsável com os afazeres de casa, sempre zelou pelo trabalho bem feito. Sempre se empenhou a fazer as coisas conforme sua finada mamãe ensinou a ela. Era uma mulher prendada e aquilo lhe dava nos nervos ver serviço mal feito pela senhora de testa franzida. Antes não lavar nem estender, dizia ela inconformada. Isso acontecia há anos, sempre que espiava, a inconformidade da amável senhora aumentava, pois a cada dia que passava aumentava a sujeira nas roupas e já começava a encontrar certas manchas na pintura da casa da vizinha. Ela começou a pensar que a outra velha já estava caduca e digna de dó, visto o estado que se encontrava a casa, suja, abandonada. A neta que vivia com a senhora boa apenas observava a vovó resmungando tudo isto. E nada comentava. Às vezes até pensava em falar algo, mas via que poderia piorar a situação. E sempre concordava com a vó quando ela dizia: “Se eu tivesse intimidade perguntaria se ela quer que eu a ensine a lavar as roupas! Afinal, as minhas estão sempre limpas e minha casa é muito bem cuidada.”.
Certo dia, como toda manhã, a boa senhora vai à janela conferir mais uma vez a sujeira da roupa alheia. E quando ela se aproxima, já com a boca aberta, preparada para criticar, toma um susto. Que a deixa por alguns momentos em silêncio. Voltando-se para a neta ela diz: “Netinha, as roupas, a casa! Tudo daquela velha incompetente está limpo. Está tão alvo que até brilha! Como isto? Assim da noite para o dia? Será que alguém a ensinou a lavar ou lavou por ela?”. E antes que a boa senhora tecesse outro comentário a netinha interrompe e diz: “Vovó, vovó, calma. O que aconteceu é que hoje acordei mais cedo e lavei os vidros da nossa janela. Estavam sujos e deturpavam a visão de quem estava dentro”.
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Muitas vezes criticamos as roupas dos outros sem darmos conta de que a nossa visão está deturpada pois nosso vidro está sujo. Não queremos sair da nossa casa e olhar o outro de perto. Não queremos conhecer a verdade do outro e preferimos ficar à distancia olhando somente pelo vidro sujo e criticando aquilo que não conhecemos, caindo assim no erro de caluniar o outro, pois o nosso vidro impede de olharmos corretamente.

Matheus Barbosa
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Seja Luz!


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